Olá galera!
Venho falar hoje sobre um assunto que a muito – desde minha ultima peregrinação – me incomoda e que, provavelmente, me incomodará por toda essa vida.
Seguinte, eu visitei a cidade de Potosí na Bolívia. É uma cidade linda, histórica. Tem todo um estilo mais antigo com igrejas góticas e etc. No século XVII era a maior produtora de prata do mundo e tem minas ativas até hoje.
E é exatamente sobre isso que quero falar. Sobre as tais minas de prata. Eu visitei uma dessas minas (infelizmente não me recordo o nome) e o que vi lá dentro mexeu muito comigo. As condições a que os trabalhadores são submetidos é indescritível. Acho que não consigo descrever de forma precisa, mas vou tentar. A mina por dentro é comparável a um labirinto escuro, empoeirado, mal cheiroso, úmido e cheio de gases tóxicos (É recomendado que entremos de máscaras). Existem “andares” na mina que o acesso é dado por escadas improvisadas. Não existe banheiro ou refeitório ou sequer um lugar para atendimento médico caso algum acidente aconteça.
Falando em acidente, existem três formas principais de acidente na mina: dinamitar alguma parte de forma errada; soterramento; ou chegar em alguma parte com grande quantidade de algum gás e, por causa de uma centelha da lâmpada, incinerar grande parte da região em que se encontra na mina.
Existem, basicamente, três tipos de trabalhadores: os que dinamitam o local; os que carregam os minérios; e os que quebram as pedras maiores em busca de pedras menores que contenham minérios.
Os que carregam os minérios usam carrinhos – aqueles de desenho – que pesam meia tonelada. Os carrinhos têm capacidade para carregar uma tonelada. Ou seja, eles empurram na mão uma tonelada e meia sem ajuda de equipamentos por corredores escuros e sinuosos, cheios de pedras caídas e, muitas vezes, água até a canela.
Potosí é uma das cidades mais altas do mundo e é cultural na Bolívia mascar folha de coca para diminuir os efeitos da altitude. Porém, outro efeito da folha de coca é cortar o apetite. E muitos mineradores – se não todos – mascam folhas de coca para ficarem até 24 horas sem comer para não perderem horas de trabalho para no fim do dia ganharam algo em torno de 60 pesos bolivianos – um pouco menos de 20 reais.
Dentro da mina tive a oportunidade de conversar com alguns trabalhadores. Um deles uma criança de 13 anos com aparência de um homem de uns 30. Castigado pelo duro trabalho, péssimas condições e uma amargura sem fim. Outro me contou o que comiam e bebiam – folhas de coca. E um terceiro, quando perguntei qual era seu nome, respondeu: “Yo soy ninguno!”. Sim, ele estava certo! Ele não é ninguém. A sociedade o ignora e o explora sem que a maioria das pessoas saiba das suas condições e mesmo os poucos que sabem, não se importam!
Há uma lenda que havia tanta prata em Potosí que era possível construir uma ponte com toda a prata extraída que ia da Bolívia até a Espanha. E que morreu tanta gente – e ainda morre – que era possível construir uma ponte de ossos voltando.
Eu filmei alguns momentos dentro da mina e vou postar aqui só para se ter uma ideia de como é a situação lá dentro.
E aí? Seus bens exploram trabalhadores ou você conhece a procedência deles?
Suerte, Che!
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